A iniciação do Aprendiz é fundamental para a perpetuação da Maçonaria. Porém a escolha de quem convidamos para a nossa Ordem é uma decisão da maior responsabilidade. Pois, o que deve ser considerado é que a condição necessária para ser Maçon não pode apenas a de ser livre e de bons costumes, ser amigo, ser um bom esposo e um bom pai. A condição primordial é a de termos a certeza de que aquele profano que estamos indicando tem inteligência e discernimento suficiente para entender a filosofia de nossa Ordem, merecendo dessa forma sentar no Trono de Salomão e de lá espargir a luz necessária para o engrandecimento e fortalecimento dos obreiros que estão sob a sua direção.
Para o profano entrar para a Maçonaria, deverá ter um amigo Maçom que conheça profundamente as suas qualidades, estando apto a julgar se é viável ou não o convite para ele entrar para a Ordem. Quando são confirmadas as boas qualidades, é feito o convite. Porém, esclarecendo sempre sobre as exigências principais da ordem, como reconciliar-se com qualquer eventual inimigo que tenha e que venha a encontrar na maçonaria, já que é absolutamente proibida a inimizade entre Maçons. O profano terá sua vida particular examinada pela Maçonaria, que não tolerará desvios de conduta, exigindo comportamento e retidão de vida no mundo profano. Só depois de se ter certeza que o profano é merecedor, é que alguém, que seja o interessado, pode pedir a sua adesão.
A seleção do candidato obedece a alguns requisitos, tais como ser uma pessoa que faz parte da sociedade, ser simples, honesta e crê em Deus e numa vida futura e que tenha inclinação para a socialização e com recursos financeiros para atender os compromissos da Instituição.
No entanto, existem mais duas condições essenciais: ser livre e de bons costumes. Porem é fundamental que se entenda que ser livre não significa romper as cadeias da tradição, do sistema social ou da conjuntura familiar. Ser livre, no conceito maçônico é possuir o pensamento aberto, pronto a aceitar o que é bom e satisfatório.
E, ser de bons costumes é ter um comportamento moral que faça parte do sistema de valores que devam ser preservados e cultivados. Uma manifestação espontânea do individuo que traz dentro de si bons costumes adquiridos tanto através da educação familiar como pela busca incessante da evolução, realizada pelo próprio individuo, ao longo da vida.
Porém viver de acordo com a filosofia maçônica na plenitude de uma vivencia correta e feliz, é de difícil alcance, porque os novos membros não estão sendo selecionados com rigor, e já não são convidados homens livres e de bons costumes, mas somente aqueles que têm uma conduta normal.
Mas a maçonaria precisa encontrar para seus quadros, alguém que seja livre e de bons costumes, porque esse será um predestinado. Na verdade o Maçon já existe, precisando apenas ser encontrado. E por este motivo que os verdadeiros Maçons são em número limitado, porque e muito difícil encontrar um candidato ideal, que tenha como seus os objetivos de uma Instituição milenar que trabalha pela evolução da humanidade.
Porem nem todos os iniciados são livres de bons costumes, e a pergunta que colocamos é como podemos explicar a existência dos maus maçons? Será que não houve uma seleção correta? Será que os profanos convidados não eram livres e de bons costumes? E se não eram, o que fazer além de sermos tolerantes, mesmo sabendo que esses indivíduos podem ser perniciosos a nossa Ordem?
É difícil o procedimento de convidar um profano, que demonstre ser de bons costumes, e que seja reconhecido como de ilibado comportamento e apto para ingressar na Ordem Maçônica. Isto porque a Ordem precisa bem mais de um Maçon. O que a Maçonaria precisa é de Maçons que além de livres e de bons costumes sejam também, aptos e dispostos a lutar pelo bem estar da humanidade e não apenas na forma de filantropia, mas de forma mais comprometida como fez o Poderoso Irmão Gonçalves Ledo na luta pela independência do nosso país. Hoje existem outras lutas a serem empreendidas por nossa Ordem, pois os desafios são outros, os inimigos são outros. Como diz o nosso P\ Ir\ M\ I\ Ailton Elisiário de Souza, 33º, a nossa luta hoje deve ser para ajudar na solução dos grandes problemas que têm levado a nação brasileira ao caos moral, social, político e econômico. Hoje temos que lutar meus amados Irmãos contra a falta de segurança nas ruas e nos lares, contra as drogas e o crime organizado que esta ceifando a vida dos nossos jovens. Devemos lutar para melhorar qualidade da educação e da saúde publicas. Devemos lutar meus Irmãos, principalmente, contra a corrupção que corrói o sistema sócio-politico-brasileiro. Esses sim meus amados irmãos são os nossos inimigos de hoje, daí a importância de termos irmãos que além de ter essa percepção se disponham, através de sua atuação cotidiana, a juntar forças para construirmos a nação brasileira.
Há quem diga que a Maçonaria vive hoje das glorias do passado, e que esse fenômeno acontece em varias partes do mundo. E isso, permite até especular sobre a possibilidade de a Maçonaria estar passando por essa dificuldade devido às características dos seus integrantes. Levanta-se a hipótese de os processos de seleção estar permitindo a entrada de profanos que, mesmo sendo livres e de bons costumes, não apresentam um perfil adequado às necessidades da luta pela evolução e perpetuação da Ordem. Esse fenômeno pode estar sendo reforçado pela falta de cuidado na transmissão dos ritos e dos ensinamentos dos mistérios, de modo a despertar nos Irmãos Aprendizes e Companheiros o comportamento mais comprometido com os destinos da Maçonaria. Se isso não esta acontecendo talvez seja pelo fato de não perceberem a real responsabilidade que a Ordem sempre teve com os destinos da humanidade, pois, a Maçonaria não é uma simples associação que se reúne para tratar de assuntos domésticos e corriqueiros. A Maçonaria é uma Ordem universal e milenar, que ao longo da sua historia tem sempre contribuído para o progresso humano. E se atualmente estamos atravessando um momento de descompasso ou até de descompromisso com a humanidade, é porque algo de errado esta acontecendo em nossa Ordem.
É possível, que essa atitude verificada em nossa Ordem seja decorrência direta da qualidade dos profanos que estamos iniciando, agravada pela falta de acompanhamento por parte dos Padrinhos. Quantos Irmãos que são Padrinhos estão sendo bons Mestres? Quantos estão acompanhando o desenvolvimento dos seus afilhados? Quantos já tiveram deserção de seus afilhados, e o que fizeram para trazê-los de volta?A decisão de convidar um profano é da maior responsabilidade e relevância para a Maçonaria, pois se trata da sobrevivência da Ordem devendo, por isso, ser uma atitude muito bem pensada, pois estaremos trazendo para a nossa Ordem um individuo que da mesma forma que pode contribuir para o engrandecimento pode também prejudicar, através da revelação dos nossos mistérios.
Todos nós sabemos que para a nossa Ordem crescer e se perpetuar precisa permitir o ingresso dos profanos que serão iniciados como Aprendizes. Todavia não podemos sacrificar a qualidade pela quantidade. Precisamos sim repensar as nossas estratégias para a conquista de novos quadros. Ou seja, continuamos como estamos fazendo, pois o resultado esta sendo satisfatório, ou mudamos?
Precisamos saber como esta sendo feito em outras partes do planeta. Em alguns lugares como nos Estados Unidos se aceita a auto-proposta. Precisamos saber se os resultados são satisfatórios. Por outro lado precisamos avaliar se os resultados que estamos tendo da maneira como estamos atuando em nossas Potencias Maçônicas estão sendo satisfatórios para a Ordem. Precisa-se decidir também se é mais importante iniciarem-se profanos jovens ou idosos. E ainda qual a faixa etária que apresenta melhor resultado do ponto de vista de permanecia e evolução dentro da Maçonaria.
CONCLUSÃO
uestão colocada foi "Como convidar um profano para a nossa ordem". Considerando a importância da questão como a evolução e perpetuação da Maçonaria, faz-se mister que os grandes mestres da nossa Ordem se debrucem sobre o tema em busca de respostas, sob a proteção e iluminação do Grande Arquiteto do Universo.
BIBLIOGRAFIA
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CORTEZ, Joaquim RP, Os fundamentos da Maçonaria – São Paulo: Madras, 2004.
SOUZA, Ailton E, Maçonaria: uma síntese de sua ação política, Revista Cultura Maçônica, Ano 1, Nº. 2, Set. 2001, Campina Grande.
João Pessoa, 20/08/2008
Ir\ Comp\ Antonio Gualberto Filho Autor
Orientador Ir\ M\ I\ Francisco Elmiro de Souza Filho, 33º
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